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Marcelo

Marcelo Odebrecht

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Sergio Machado

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Eike Batista

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Joesley Batista

As 4 fotos exibem a síntese do que há de pior no Brasil: homens com imenso poderio econômico, mas deserdados da mínima honra. São pessoas que como empresárias deveriam gerar riquezas: produtos, serviços, tributos e empregos. No entanto, lesam a sociedade, pois roubam e fraudam no âmbito do Estado. Quando atuam dessa forma, contribuem para a ruína da sociedade inteira.

Conseguem empréstimos generosos; fraudam as licitações; têm facilidade para obter licenças para explorar serviços públicos, como estradas, portos, aeroportos e meios de comunicação; ganham de presente leis feitas sob encomenda para que eles não paguem impostos e sonegam sem piedade, impedindo que recursos necessários cheguem à educação e à saúde. Vampirizam a cidadania do desgastado povo brasileiro. Retroalimentam as desigualdades num país profundamente desigual. O Tesouro Nacional tem sido a fonte para que suas famílias se tornem bilionárias em detrimento da cidadania.

Tudo isso foi feito, desde sempre, com a ajuda de comparsas do setor público: parlamentares, prefeitos, governadores, presidentes, juízes, ministros. Enfim, agentes que atuam na contramão de sua missão, que é servir a Nação e não se servir dela.

Na gíria da malandragem os que delatam seus parceiros de crime são chamados de “cagoetas” (alcaguetas). Para essa elite criminosa que atua no Brasil temos a Delação Premiada que oferece uma espécie de bônus para quem comete grandes crimes. Tais figuras são condenadas a ficar algum tempo em suas mansões com absoluto e exagerado conforto e sem nada fazer para purgar seus crimes. Sim; é verdade que não podem voar em seus jatos e helicópteros passeando pelo mundo afora, mas restam Netflix, bebida e comida de primeira e algum hobby para se praticar em suas mansões de veraneio.

Lotacao

Quem é mais pernicioso para a sociedade brasileira – o bandido “pé-de-chinelo”, assaltante e muitas vezes homicida – ou o criminoso de colarinho branco?

Ambos são bandidos e devem à sociedade pelos crimes cometidos. Os bilhões roubados e fraudados por Marcelo, Sérgio, Eike e Joesley daria para construir quantos postos médicos e hospitais bem equipados? Sabe-se que as pessoas do Brasil profundo padecem pela falta de exames e tratamentos que impediriam suas mortes – essa tragédia faz parte do nosso cotidiano.

Qual a diferença entre o assaltante homicida – tão temido por todos nós – e quaisquer dessas figuras bem-nascidas do colarinho branco?

A primeira diferença é que no caso do colarinho branco o dono do pescoço também o é. São, geralmente, bem-nascidos, frequentaram boas escolas e são ricos. Às vezes, muito ricos. Têm elevado capital social e viram nessa capacidade de influenciar uma oportunidade de maximizar suas fortunas.

Quanto aos assaltantes, cujos crimes não podem ser minimizados, em boa parte das vezes, têm baixa escolaridade. Vêm de famílias de risco, nasceram na periferia, muitos são negros (pretos/pardos) e viram no crime (tráfico ou roubo) uma oportunidade de ascensão.

Não se deve hierarquizar criminosos. São criminosos e ponto. Em verdade, a ação do colarinho branco, desviando recursos que fomentariam a cidadania, como educação de qualidade e saúde preventiva, acaba contribuindo para a criminalidade dos de baixo. Trata-se de um círculo vicioso rodado a partir da ação das elites corruptas.

O que chama a atenção na diferença entre os dois tipos de criminosos é como os bandidos bilionários não têm o mínimo pudor em denunciar os seus comparsas para livrar a sua cara. A delação tem permitido à sociedade conhecer as entranhas do poder no Brasil. Por outro lado, a prática demonstra que para o “andar de cima” o crime compensa. Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro, gravou até Sarney para se safar. Eike Batista, um dos “maiores empresários” do Brasil (Grupo EBX), antigo camarada de Sérgio Cabral, vai atolar na lama ainda mais a vida do ladrão-governador. E, recentemente, Joesley Batista (Grupo JBS), entregou todo mundo: PSDB (Aécio Neves), PT (Guido Mantega) e gravou ainda Michel Temer do PMDB. Quanto a Marcelo Odebrecht, visto no mundo da delação como a cereja do bolo, contribui para a ciência da administração brasileira pois traz um esclarecedor estudo de caso sobre como ocorre o crescimento empresarial na área da construção civil no Brasil. A ODEBRECHT atingiu a perfeição da bandidagem empresarial ao desenvolver um centro de custos para controlar a corrupção. O pai de Marcelo – Emilio – que o antecedeu na presidência do grupo, entrega a república inteira ao afirmar com destemor: “Tudo que está acontecendo é um negócio institucionalizado”. Mais: explica que os partidos não lutam por cargos, mas por “orçamentos gordos”. O caixa dois, para ele, tão falado nos últimos tempos, é “demagogia” da imprensa, pois é prática que remonta 30 anos.

 

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