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medalha de ouro

Foto: Reuters – Bruno Kelly

As fotos revelam que a principal fonte de medalhas de ouro das Olimpíadas foi a população negra, que segundo o IBGE é formada por pretos e pardos.

Tenho dito que a periferia brasileira é ouro puro; figuração que faço para evidenciar a riqueza que ali sobrevive. Nada vale mais nesse planeta do que talento, mais que o próprio ouro. E convenhamos: esse material é abundante em nossos bairros periféricos, favelas, cortiços e invasões. As Olimpíadas que acabaram de se encerrar no Rio comprovou de forma cabal o que dissemos recentemente aqui nessa página. Sempre lembro que, apesar de dispormos de fartos veios de ouro puro, optamos pelas bijuterias. Ou seja: valorizamos os bem-nascidos que não precisam se empenhar para manter seus privilégios. O resultado é o país que nos resta: baixa capacidade de crescimento com inclusão; jejum completo de Prêmios Nobel e medíocre pontuação nos principais rankings mundiais de excelência. Bem, há duas exceções em que somos modelos: na música e no futebol – precisamente nos dois setores em que os negros não foram impedidos de atuar.

O que as Olimpíadas revelaram é que basta um investimento básico para que o retorno venha com fartos ganhos para a cidadania brasileira.

5 medalhistas

É o caso de Rafaela Silva (24 anos), nosso primeiro ouro no Rio, oriunda da Cidade de Deus e que sofreu ataques covardes na Internet. É hoje sargento da Marinha.

Thiago Braz (22 anos) que, além do ouro, estabeleceu recorde olímpico no salto com vara: 6,03 metros. Foi criado pelos avós paternos e sofreu processo de abandono pela mãe.

O boxeador baiano Robson Conceição (27 anos) foi outro que viveu uma saga para chegar ao pódio, conquistando uma inédita medalha de ouro na categoria leve.

É ainda o caso do ex­ajudante de pedreiro Maicon Siqueira (23 anos) que faturou a 2a medalha brasileira num esporte ainda raro por aqui, como o taekwondo.

Mas de todos os laureados ninguém foi mais extraordinário do que o também baiano Isaquias Queiroz (22 anos) que ganhou 3 medalhas – 2 de pratas e uma de bronze, ­, tornando­se o primeiro atleta brasileiro a cumprir tal façanha numa mesma edição das Olimpíadas. O Brasil disputa as Olimpíadas desde 1920 e coube a este canoeiro – pobre e do interior – essa epopéia. Seu parceiro na disputa em dupla – Erlon Souza (25 anos), em sua primeira Olimpíada ganhou também a medalha de prata.

Todos esses heróis olímpicos são de origem humilde, como de resto são também quase todos os atletas negros da seleção olímpica de futebol e que são a maioria daquela equipe.

Por outro lado, a natação nas Olimpíadas não conquistou uma medalha sequer. Entenda­-se, não foi por falta de piscinas: clubes, condomínios, residências e colégios particulares dispõem de um estoque excessivo desses equipamentos, sendo que diversos desses espaços contam ainda com instrutores de natação.

Quando o Ministério dos Esportes, que no Brasil tem sido moeda de apoio político, passar de fato a investir nas periferias com a construção de equipamentos adequados e com material humano de apoio, a colheita de medalhas será farta. Repito mais uma vez: nenhum país pode, impunemente, desperdiçar talentos como faz o Brasil.

Tal desperdício aqui se deve ao racismo institucional que impregna as políticas públicas e as decisões do setor privado.

 

 

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