BRASIL: ONDE A IDEIA DO MÉRITO É PIADA PRONTA

A palavra mérito tornou-se um mantra nacional quando se colocou na agenda do país as ações afirmativas para negros – aqui apelidadas de “cotas raciais”.

Nos meados dos anos 1990, a simples menção à necessidade de inclusão no mundo universitário público – olimpicamente branco – fez bradar pelas mil bocas da reação: mídia, academia, partidos, mundo acadêmico, jurídico, político e empresarial; a importância da meritocracia como pré-requisito para o desenvolvimento. Ou seja, a elite, num uníssono avassalador, lembrávamos o tempo todo: “não se pode perder qualidade”. Sim – faltam à essa elite, além de senso de realidade, vergonha e, claro, qualidade moral.

A maior heresia nacional: a qualidade

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Integrantes da delegação holandesa levando material de limpeza para poderem utilizar as instalações da Vila Olímpica no Rio – Folhapress

Perguntas que não querem calar:

1.Qual a qualidade das acomodações recém-construídas para as Olimpíadas no Rio? Importantes construtoras nacionais ficaram encarregadas de construí-las; e resultado: vergonha reproduzida pelos 4 cantos do mundo revelam nossa absoluta incompetência tecnológica e irresponsabilidade estratégica. Australianos, suecos, holandeses e outros não puderem se instalar. Fatos, como o alto índice de poluição da Bahia da Guanabara não deveriam acontecer. Em 7 anos de preparação não se conseguiu dar conta de algo que fora prometido.

2.Qual a capacidade dos economistas brasileiros em desenvolver planos que tragam equilíbrio e desenvolvimento para a população?

São ridículos e vendidos. Sabem cortar despesas de cunho social, mas jamais receber as receitas tributárias sonegadas por uma elite doente, desde longa data muito doente. Nosso principal herói – Tiradentes – liderou uma campanha contra o pagamento dos impostos. Os resultados são frustrantes e desoladores. O Brasil é – de longe, pelo seu tamanho e importância – um dos países mais desiguais do planeta. Não há teórico da Economia Brasileira que dê conta disso – isto à direita, é claro, e também à esquerda! Nenhum partido – nenhum – tem nada a oferecer nesse campo.

3.Quantos prêmios Nobel o país do mérito já conquistou?

Nossos acadêmicos gostam de exigir mérito da filha da faxineira terceirizada que limpa as privadas das universidades em que eles trabalham. Nada de se comparar ao Norte do mundo… Medíocres. Escandalosamente incapazes de criar algo fora de suas caixinhas bem quadradas.

Não conseguem fazer o gol de bicicleta – invenção preta brasileira – que as regras do futebol não previram.

Aliás, o futebol e a música, são as duas únicas áreas em que os negros não foram vetados, também são as únicas em que o país é reconhecido em todo o mundo como vetores de excelência! As periferias brasileiras são ouro puro, mas aqui ama-se as bijuterias. Bijuterias Finas.

O resto é uma vergonha só: políticos e empresários corruptos, violência do estado, destruição ambiental, fundamentalismo religioso, violência contra as mulheres, negros e homossexuais, mídia desconectada dos interesses nacionais. O país, além de perigoso, vem se tornando brega, com as cidades muito mal cuidadas.

4.Qual a capacidade de gestão tem os homens públicos brasileiros? Quantos estadistas produzimos? Quando o povo, de fato, foi relevante para nossas elites políticas?

O caos do transporte público urbano, a ausência de saneamento, o descalabro da saúde, a educação escandalosamente falha, a insegurança que a chamada segurança pública provoca, o roubo sistemático – da merenda das crianças às variações cambiais arranjadas, sem esquecer os remédios e os bancos de sangue –, as concorrências fraudulentas que roubam os recursos de um estado avaro em promover cidadania, a falta de qualidade e fraudes sistemáticas dos serviços telefônicos, dos planos de saúde, dos serviços dos aeroportos. Não há espaço na sociedade brasileira onde não haja fraude, roubo, desonestidade, falta de qualidade muito incompetência. Os Milhares de favelas que se amontoam em nossas cidades são o retrato cabal da falência de uma elite que deveria fugir – toda ela – para Miami. Os brasileiros em fuga para o exterior alegam a falta de segurança. Fujam logo! Quanto mais correrem, mais segurança interna teremos. Quem corre risco aqui não são os filhos e filhas desses fujões, mas sim os jovens negros que morrem todos os dias de uma forma avassaladora: cerca de 25 mil por ano…

5.Qual o amor que as medíocres elites brasileiras devotam a esse país?

Como deveriam provar isso? Asseguro, não é distribuindo o seu rico dinheiro, mas gerando igualdade de oportunidades – algo que nunca entenderam, porque sempre dispuseram de privilégios históricos.

Igualdade de oportunidades em todas as áreas – todas.

As mesmas empresas que ao recrutarem trainees excluem negros são as que não funcionam com a qualidade que requerem do povaréu.

6.Qual a contribuição da Academia para as efetivas mudanças? Da chamada intelligentsia?

Sempre que pensou em soluções para a terra-brasilis tinha a mente na Europa… Sei: sempre haverá as exceções – raríssimas algumas. Mas, na vida real, elas pouco valem.

Arnaldo Xavier, poeta maior que já nos deixou do mundo físico, me ensinou: “eu reivindico não mais a qualidade, mas o direito de exercer a mediocridade que o branco sempre pôde exercer nesse país o tempo todo…”

Meu cansaço e ira me autorizam a dizer: os negros não podem mais continuar a eleger os seus inimigos – simples assim!

Comecemos por aí.

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