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A figura feminina central do livro, Martha, é uma psicóloga especialista em gênero, que comentara com o filho – nosso herói – sobre uma famosa juíza, casada com um exportador bilionário, mestre em acumular dinheiro, mas como marido um horror; o pesadelo encarnado. Era uma bela mulher que há anos não sabia o que era um orgasmo. Esse tipo de mulher exibe algumas características que a especialista decifra ao perceber determinados cacoetes e especificidades corporais bem visíveis para ela.

Nosso herói, Victor, desde cedo pôde entender que algumas mulheres eram vítimas de uma espécie de vampiro que se alimenta não de sangue, mas da energia de luz de fêmeas especiais. Ou seja: para a existência de um homem esgotador é fundamental que haja uma mulher não convencional, que tenha alguma iluminação da qual ela possa se nutrir. O pior: o esgotador se alimenta do brilho de sua mulher não para seu benefício, mas por absoluta esquizofrenia, sendo incapaz de violências físicas, porém é um exímio torturador mental.

Esse espécime teorizado pela psicóloga era resultado de décadas de estudos e pesquisas com mulheres infelizes no casamento. A terapia não é tão simples como aparenta ser, uma vez que, ao esgotar sua vítima, aquele tipo de homem extrai dela também a capacidade de fulminá-lo, retirando-se – pura e simplesmente – de sua hedionda presença.

A força instintiva, natural nas mulheres, foi oprimida por milênios de dominação masculina. A despeito dessa opressão, aquelas mulheres que externalizam essa energia vital, quando cruzam com um homem esgotador em seu percurso de vida, costumam se dar muito mal. É necessário reconhecer que há diversos tipos de esgotadores, mas todos têm em comum o fato de não saberem lidar com o brilho das mulheres especiais, desenvolvendo a partir daí um tipo de misoginia bem particular, complexa, mas de efeitos devastadores. Em sua perversão, ele busca punir a mulher por ela ousar ser como é: autêntica, criativa, generosa em seus afetos, livre e não convencional.

A mulher do esgotador acaba se enviuvando de um marido vivo, pois experimenta a frieza própria da não-vida. Só a viuvez real pode libertá-la.

O que o livro busca desvendar é se os homens na contemporaneidade gostam de fato das mulheres, tais como elas são (ou deviam ser). No texto seguinte falaremos sobre isso.

o homem lésbico

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