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o homem lésbico

No dia 8 de Março – data internacional da mulher -, postei na minha linha do tempo no Facebook uma nota sobre “o meu lado feminino”. Foi espontâneo, mas confesso que gostei da repercussão. Dentre as diversas opiniões, falou-se no arquétipo feminino presente no homem (anima) citado em meu romance “O homem lésbico”. Atendendo a algumas leitoras vou trazer algumas passagens do livro; o que pretendo fazer em três textos seguidos aqui no meu blog. No livro, o personagem central se delicia conversando com uma publicitária-cabeça: Salma Tieste, uma mulher especialíssima, instigante, libertária, grande sucesso profissional e extremamente sensual – tudo junto. Salma possui uma posição muito particular sobre os ciúmes das mulheres:

“…. – Eu vejo três tipos de mulheres em relação ao ciúme: a comum, que se comporta assim por desconfiança e que tem a insegurança como base de sua relação; outro tipo é do da mulher do presidiário, que está segura porque ele está preso – já que acredita, tolamente, que da cadeia ele não pode ter outra; e, finalmente, aquela que não tem o direito de ter ciúme, porque se enredou com um homem já sabidamente comprometido.”

Assim, a mulher que tem um caso com um homem sabidamente comprometido, não teria direito de ter ciúmes.

Para esta mulher revelam-se dois tipos de homens: o “sofredor”, que alega estar vinculado à uma esposa “megera”, por isso ele a trai com ela e o outro é o “profundo romântico”.

O segundo é um tipo extraordinário, pois alega desenvolver duas espécies de amor: um platônico para a mulher “matriz” e outro sensual e apaixonado pela mulher “filial”.

Salma ironiza o tipo “sofredor”, questionando a vocação dele para se manter num “masoquismo tão primitivo”, ao não romper a relação com a “megera”. Ela o vê como um embusteiro. Quanto às mulheres envolvidas com o “profundo romântico”, lembra que todas conhecidas suas que se envolveram nesse tipo de enredo canastrão, se descobriam depois como integrante de um particular harém, onde nunca havia apenas duas mulheres …

O que se constata é que no caso da mulher do presidiário, sabe-se que o marido é quem está preso; no da amante que não pode ter ciúme, ela é quem se encontra aprisionada. Está amarrada à falácia de que ela é a “preferida” desse harém e não a outra, com quem aquele homem teima em manter a sua união.

Salma Tieste era um tipo de mulher que não se enquadrava em nenhum dos três tipos citados por ela – ela tira de letra o lance do ciúme.

No próximo texto, vamos abordar o ciúme dos homens. Sabe-se que um homem ciumento pode se tornar um perigoso predador que provoca danos físicos e/ou psicológicos. Falaremos do “marido-esgotador”, um tipo especial de vampiro de mulheres.

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