O mesmo que já disse antes sobre os ataques sofridos por Maju, reafirmo agora em relação aos recentes golpes racistas contra a competente e bela atriz Tais Araujo: o sucesso negro (sempre justo, porque se não o fosse não aconteceria) tende a incomodar cada vez mais. 

Maju e Taís

Fotos de Divulgação: Rede Globo e Facebook Taís Araújo

Em meados dos anos 90, em um grupo que eu coordenei sobre Políticas Afirmativas no Governo Federal, foi feita a previsão de que o racismo no Brasil ganharia mais evidência à medida que negros e negras fossem reivindicando e conquistando espaços. Além das cotas nas universidades públicas e nos concursos públicos, incluindo a magistratura, vivemos um sombrio momento político. As pessoas não têm tido receio de externalizar os seus demônios.

Contraditoriamente, num momento em que a SEPPIR e Secretaria de Promoção de Políticas para Mulheres perdem o status de ministério, tem-se o movimentos negro num grave recesso. Claro: as mulheres negras, como sempre, perdem mais. Neste caso: duas vezes.

A “Marcha das Mulheres Negras” do próximo dia 18 é uma boa exceção nesse paradeiro!

Os ataques contra personalidades negras causam constrangimento e dor, mas necessitamos aprender a lidar com isto, o que passa por respostas que não podem ser silenciosas. São respostas novas para o Brasil sempre velho. Os negros somos a maioria do Brasil e as mulheres negras, em particular, são o maior segmento populacional do País.

Nossa fraqueza socioeconômica é um fato histórico, mas nossa fragilidade política para ser revertida depende de engendrarmos caminhos que passam por um tipo mais criativo de ação; não pelos partidos políticos – todos eles. O país continental com mais de 100 milhões de negras e negros grita para todos nós.

Há 400 anos se construíam quilombos – como fazer no século 21? Vamos esperar a revogação da Lei 3.353 de 13-5-1888? As bancadas conservadoras do Congresso foram vitoriosas ao quebrarem o status de ministério de 3 setores cruciais para a ainda combalida cidadania brasileira e elas continuam sedentas.

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