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Na cotação de hoje (24/julho), 5 milhões de dólares perfazem cerca de 16 milhões de reais. É muita grana!

Eu não consigo pensar em muito dinheiro – recursos financeiros, como gostamos de dizer em finanças – sem fazer uma conexão com políticas que beneficiam pessoas. Dou importância ao dinheiro por isso; ele nos possibilita melhorar a vida material das pessoas. A Educação e a saúde são vetores importantes num país com as características do nosso – desigual e excludente.

Um conhecido meu, médico sanitarista e reconhecido especialista em políticas públicas, explicou-me que uma APS (Unidade de Atenção Primária à Saúde) possibilita um atendimento que reduz o número de pacientes a serem encaminhados para os grandes hospitais, pois cuida de boa parte dos exames e conta com equipes multiprofissionais.

Com 16 milhões de reais pode-se bem instalar 8 APS que poderiam funcionar em regiões com carência crítica na área de saúde, incluindo em seus custos o primeiro ano de funcionamento. Pode-se imaginar o impacto na saúde das populações beneficiadas – especialmente no campo preventivo. Claro que muitas vidas seriam salvas e muito sofrimento atenuado ou mesmo evitado. Não é possível calcular o custo-benefício dessa empreitada porque ela envolve aspectos humanos cruciais – a vida.

Antônio Carlos Jobim – o grande maestro e compositor – afirmou que “o Brasil não é para principiantes”. É necessário ter a inspiração de Tom Jobim para ter um insight deste porte. Uma frase simples que decifra de maneira profunda a alma do Brasilzão.

Foto Pedro França - Agência Senado

Foto Pedro França – Agência Senado

Um único bandido de colarinho branco, encastelado em Brasília, num único lance, (mas ele pode cometer vários) pode vir a ser mais letal que os menores infratores que serão atingidos pela lei que reduz a maioridade penal.

O interessante é que o discurso dos parlamentares que aprovaram aquela iniciativa enfatiza a vida. Não compreendo o porquê de a corrupção não ser tratada aqui como crime hediondo já que mata muita gente indiretamente e causa ainda sofrimentos sem fim neste mar de injustiça que somos. Com o dinheiro da corrupção poderíamos também pensar em construir creches e escolas infantis – asseguradas às crianças pela Constituição – negadas de norte a sul; de leste a oeste nesse país indecente.

A frase do nosso Tom ganha maior sentido quando percebemos que algumas leis defendidas servem de pano de fundo para gangsteres se locupletarem na contramão do discurso que fazem para o grande público! Fala-se da vida, mas roubando dinheiro, rouba-se ela também. São sofismas sofisticados e imperceptíveis à maioria da população. Não se deve pensar que “político é tudo igual”, pois não é. Há quem não seja ímprobo e queira servir em vez de ser servido.

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