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No meu blog: www.brasildecarneeosso.com eu sugeri que fosse ORGANIZADO um boicote. Trata-se de uma reação legítima por parte de quem tem os seus direitos desrespeitados. Não se reivindica uma “TV 51% negra”! O que sempre se cobrou das redes de TV é que essa concessão pública valorize a diversidade étnico-racial do país – o que não vem sendo bem atendido; muito pelo contrário.

Boicote contra loja nos EUA em dezembro de 1960 promovido pela NAACP.

Boicote contra loja nos EUA em dezembro de 1960 promovido pela NAACP.

A ideia é de boicotes – no plural. Vale para uma rede ou um determinado programa; podendo ser estendido a um determinado patrocinador que financie projetos que nos desvalorizem. Tal ideia pode valer ainda para as eleições e para determinadas empresas. Trata-se de uma estratégia que reverte o jogo: a força está do lado, aparentemente, mais fraco: o telespectador, o consumidor, o eleitor que assim usa o seu poder contra os supostamente poderosos.

Para que um projeto valioso como esse dê certo temos de fazer com que as redes dialoguem antes, pois não podemos errar. Muita gente deverá estar trabalhando nessa missão – sobretudo os mais jovens e as redes de mulheres. Trata-se de uma tarefa que pede unidade e não partidarização. Autonomia e não submissão. Sinto que muita gente está no aguardo de uma iniciativa como essa. Que bom, chegou a hora! Vamos escancarar o diálogo.

A ancestralidade negra civilizou o Brasil pelo seu trabalho – 350 anos de escravismo. A luta do movimento negro trouxe as ações afirmativas (cotas raciais e sociais) que inauguraram direitos retidos por séculos. Vamos agora valorizar a principal riqueza deste país: sua diversidade. O que se propõe boicotar é o esforço que se faz para “vender” um país que nunca fomos de fato. Esse conjunto de iniciativas é que permitirá que o Brasil não se iluda tratando problemas estruturais como se conjunturais fossem, como se faz agora neste presente momento do País.

Agosto é tido como um mês agourento. Vamos usar esse tempo para construirmos uma estratégia. Vamos pensar sem medo, mas com foco. Dia 7 de setembro, comemora-se a independência. Façamos com que essa data tenha de fato esse significado. Criemos rodas-de-conversa e definamos um modelo operacional. Somos muitas/muitos. Se Zumbi estivesse aqui hoje, com certeza, não abriria mão da internet para lutar. Todavia, a tecnologia virtual não é arma, mas sim instrumento. Arma é a consciência de quem pensa um Brasil plural; o que vale para negros e brancos. Não sou ingênuo. Há racistas. Muitos deles. Mas hoje nós já conhecemos como eles reagem. Leiam o blog.

Zumbi

Protesto realizado em 20 de novembro.

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