11640376_10153363064745993_1286078582_oNós, humanos, somos o resultado dos encontros pessoais que desenvolvemos ao longo de nossas vidas. Somos essa soma: pessoas, organizações, oportunidades, perdas, sucessos, fracassos. Toda a fantástica sincronicidade que nos sucede ao longo da vida ocasionando os fatos – todos os fatos – é o que convencionamos chamar “vida”.

Assim, uma pessoa “sem sorte na vida” obtém esse resultado em função de maus encontros pessoais ocorridos. Más amizades (falsas por certo), amores “que não pegaram”, profissão inadequada ao perfil, empregos ruinosos etc.

Como todo mundo, devo ter cometido erros na vida, mas, por certo, não me equivoquei na escolha de meus amigos. Dei muita sorte. A sensação que eu tenho é que as melhores pessoas foram as que contracenaram e ainda continuam a contracenar comigo hoje – ainda agora, nos dias presentes.

Em minha vida fui e continuo sendo, de fato, duas coisas: professor – 42 anos de magistério – e ativista da luta racial. Não posso auto avaliar o meu desempenho como mestre – papel que cabe aos meus ex-alunos; milhares deles espalhados por todo o país, mas posso sentir a felicidade que eu tive e continuo tendo por batalhar com pessoas – homens e mulheres, negros e não-negros – que mudaram e continuam mudando a forma do país funcionar. Certo: vários obstáculos ainda restam, mas avançamos muito. Avançamos beneficiando negros, não-negros e o país como um todo. As chamadas “cotas sociais”, que tanto sucesso fazem, é resultado da luta direta dos que batalharam pelas “cotas raciais”. Para um país onde o medo de incluir “gente diferenciada” muda até trajetória da linha de metrô, fizemos uma proeza e tanto.

O Brasil só será o País do futuro, que todos ouvimos desde criancinhas, quando a nossa exuberante diversidade humana for valorizada. Não há outra terapia – não há.

Ao celebrar 70 anos hoje – dia 20 – preciso agradecer. Agradecer muito às pessoas com as quais pude contracenar nesses anos todos. Já disse, foram as melhores pessoas. A maior parte ainda é; poucos morreram.

Desde os anos 1970 em São Paulo com o movimento negro partidarizado, aos anos 1980 no Conselho do Negro – primeira instituição pública voltada para a questão racial-negra do pós-Abolição. Depois, o grupo de trabalho – GTI – no governo federal nos anos 1990, quando o foco principal foram as políticas afirmativas, apelidadas de “cotas raciais” pela mídia. Depois fundamos o IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade – com o apoio de inúmeras organizações como Geledès, CEERT, FGV e Instituto ETHOS. Finalmente, veio o Fundo Baobá para a Equidade Racial – um banco social voltado para a equidade racial – invenção, de novo, do que há de melhor no Movimento Negro Brasileiro.

Hoje, teria que agradecer a uma “carrada” de gente que nestes anos todos estiveram lutando ao meu lado. Como já disse: foram pessoas imprescindíveis. Para não errar pela memória vou agradecer a uma pessoa amiga mais recente e que está nessa última empreitada em que eu me aventurei. Agradeço à Fabrício Addeo pelo notável trabalho que desenvolve comigo aqui neste Blog BRASIL DE CARNE E OSSO, sem o qual eu não poderia comunicar com quase 5000 amigos que tenho no Facebook.

Muito obrigado a estes amigos novos – mulheres e homens – que estão comigo aqui no Facebook. Espero continuar a merecer as bênçãos de meu pai Oxalá.

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