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Foto: Rose Brasil/ Agência Brasil (Arquivo)

Foto: Rose Brasil/ Agência Brasil (Arquivo)

Tornou-se manchete o comercial do O Boticário ao veicular propaganda para o dia dos namorados apresentando casais hétero e homossexuais. A “novidade” revela, antes de tudo, o atraso em que a sociedade brasileira ainda se encontra frente à questão da orientação sexual.

O Boticário apenas buscou atender a um grande mercado: no dia dos namorados milhões de mulheres e homens trocam presentes com os seus pares amorosos. Apenas isto. Dentre estes casais, muitos são homossexuais. A empresa cuidou de atender ao mercado como um todo. Mas como vamos demonstrar; fracassou.

Trabalhar a Diversidade é algo que a propaganda brasileira, tão badalada interna e externamente, nunca soube bem fazer. Trabalhar com a Diversidade de forma adequada não é apenas justo e correto, também traz vantagens para quem o faz. Foi bastante positivo evidenciar casais homossexuais vivendo suas vidas, sem hipocrisias que desumanizam as pessoas.

A peça publicitária apresenta pessoas com faixas etárias diferenciadas, além de homo e heterossexuais, mas se esquece dos 51% da população brasileira que é negra (pretos e pardos; IBGE, Censo de 2010). Portanto, a Diversidade deveria ser matéria obrigatória para todos os estudantes de Comunicação.

Esta observação não tem nada a ver com o “Politicamente Correto”, como poderia argumentar alguns autores espertos e que se aproveitam do atraso intelectual do país. Trata-se de ser, neste caso, profissionalmente correto – única e tão-somente isto.

O Boticário, uma empresa capitalista, deveria exigir da W3haus – agência que cuida de sua conta de publicidade – um melhor conhecimento do mercado onde ela atua. Os produtores da peça publicitária, que virou meme, perderam uma oportunidade de ouro para evidenciar a Diversidade sem um defeito tão flagrante – mais da metade da população brasileira foi omitida! Se poderá argumentar, com razão, que essa parcela não detém percentual do mercado correspondente ao seu tamanho. Todavia, ninguém há de desconsiderar mais de 100 milhões de pessoas!

Quanto à tacanhice dos que reagem uivando homofobias é o preço que pagamos por viver num país hipócrita e que tem no seu DNA a injustiça. Há 3 aspectos da vida brasileira que resistem à modernização do mundo: a questão de gênero (não adianta dizer que temos uma mulher na presidência); a orientação sexual que exibe um Brasil ainda primitivo e, finalmente, o racismo. Este último está internalizado na cultura brasileira de tal forma que publicitários moderninhos, como os da W3haus, são capazes de criar um comercial contemporâneo, que acende um debate importante, mas se “esquecem” de metade da população!

Todavia, continuo otimista em relação ao futuro – reparem -; as pessoas que estão nascendo são melhores do que aquelas que estão morrendo.

*Segue também uma propaganda da japonesa Nikon para o mercado americano.

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