Não existe esporte que desperte mais paixão do que o futebol. Lugares com culturas bem diferentes amam o esporte: África, Ásia, Oriente Médio, Oceania, Américas e Europa onde o esporte nasceu há mais de 140 anos.

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem 192 países membros em seu portifólio de filiados. A FIFA, entidade que agrega os países do mundo da bola, tem 209 países filiados! De longe, é a prática mais globalizada que se tem notícia, cujas regras são obedecidas por todos esses lugares: pênalti é pênalti e a duração de cada um dos dois tempos do jogo é de 45 minutos exatos. A regra do tempo muda nas prorrogações de 30 minutos, divididas ao meio. O mundo todo conhece as regras. Todo mundo opina nas escalações – pobres e ricos, letrados ou não.

Como tudo que sinaliza poder e movimente muita grana, é reservado ao futebol infindas baixarias. Fiquemos com “o país do futebol”, a terra brasilis: 1) Violência. Como em todos os lugares do mundo, temos as “torcidas organizadas”, mistura de egos frustrados e adoecidos. A agressão gratuita é o alimento da maioria delas, sobretudo no eixo Rio-São Paulo. 2) Alienação, cujo momento de glória foi o do período da ditadura militar. A tortura “comia” feio nos porões, enquanto generais-presidentes posavam sorrindo ao lado de craques famosos para deleite da massa. 3) Racismo – muito racismo. Mas não só nos últimos tempos. Foi e é assim desde sempre. Desde quando os jogadores negros alisavam o cabelo, ou tinham mesmo que passar pó de arroz para embranquecerem e serem aceitos. Bem; essa ideia acabou pegando na (in)consciência de alguns craques negros famosos que fazem questão de afirmar, sem nenhum pejo, serem brancos. Seria para rir muito, se não fosse trágico. 4) Baixa política e corrupção endêmica. O futebol no Brasil sempre dialogou com a política – isto no pior sentido dela. Com solenes exceções, o futebol tem servido ao que há de mais nefasto na política brasileira, que é, aliás, quase toda, muito ruim. Nesse momento, um ex-governador de São Paulo, ex-presidente também da CBF, encontra-se preso na Suíça sob a acusação de fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha a pedido do FBI. Parte importante das maracutaias tem a ver com os direitos de transmissão de torneios pela TV. Vergonha máxima para o Brasil, mais uma vez. Sobre este mesmo senhor – José Maria Marin – também pesa a grave acusação de ter colaborado com os anos de chumbo da ditadura em que torturas e mortes eram corriqueiras; especialmente em São Paulo. Como baixaria pouca é bobagem, o mesmo cartola foi flagrado embolsando (isto mesmo, colocando no bolso) uma das medalhas que seria entregue aos craques da Copa São Paulo Junior em 2012!

Como era de esperar, não há cartolas negros, já que estas posições significam muita grana e poder. Na maioria das vezes, dinheiro sujo, como a operação do FBI acabou de revelar. O alardeado “Padrão FIFA” é um engodo que dá cobertura à uma máfia multinacional com muito poder. Para nós que amamos o futebol, resta apenas assistir (literalmente), pela TV, a tudo isso.

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

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