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O programa que por 15 anos Abujamra apresentou, semanalmente, sempre às terças-feiras à noite, pela TV Cultura de São Paulo, chama-se “Provocações”.

Na introdução do programa ele advertia aos telespectadores: “Esse programa pode não ser uma janela aberta para o mundo, mas é, certamente, um periscópio sobre o oceano do social”. Penso que esse mantra sintetiza bem a cabeça, não do reconhecido ator e diretor que foi em vida, mas do cidadão Antônio Abujamra. Plugadíssimo no Brasil real. Provocador, sensível e renitente. Uma pessoa que não veio a esse mundo a passeio. Radicalizou, sempre, na democracia. Já faz falta nesse país preguiçoso na produção de cidadania.

Tornamo-nos amigos em 2013 num único programa que gravamos. A empatia foi à primeira vista. Ele sabia o que me perguntar e, segundo a sua produção, como vim a saber depois, foi um dos programas que ele mais gostou de fazer. Sorte a minha. Ele fazia 52 programas por ano e o fez por 15 anos seguidos!

Reprodução do programa Provocações - TV Cultura

Reprodução do programa Provocações – TV Cultura

O final daquele programa, gravado em dezembro de 2013, foi magistral. Após o fechamento, Abujamra vem, sozinho, e cita Jomo Kenyata, estadista africano: “quando os missionários chegaram pela primeira vez às nossas terras, eles tinham as bíblias e nós as terras; 50 anos depois, nós tínhamos as bíblias e eles as terras”. Difícil encontrar uma citação que retrate tão bem o Brasil desse início de milênio. Se puder, dê uma espiada no programa que está aí no meu blog: http://www.brasildecarneeosso.com.

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