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Estão marcados para o próximo dia 12 (domingo que vem) novos protestos e, ao que tudo indica, a agenda continua a mesma: contra a corrupção, contra a estagnação econômica e tendo a presidenta Dilma Rousseff no centro das insatisfações.

Vou propor aqui hoje que ampliemos essa agenda, tanto no conteúdo dos temas quanto na profundidade do que já vem sendo posto. Quanto à insatisfação, é um direito de todas e todos manifestá-la livremente.

A corrupção precisa ser vista em toda a sua largueza. Não se trata apenas de empreiteiras que pagam propinas para vender obras superfaturadas A maior parte do roubo diz respeito à sonegação de impostos; utilizando muitas vezes da remessa ilegal de dinheiro para paraísos fiscais – os brasileiros endinheirados têm verdadeira paixão por esse tipo de falcatrua. A operação Zelotes da Polícia Federal começa a iluminar um túnel quase sem fim: mais uma vez, grandes empresas causando prejuízo ao tesouro nacional; desta vez mais de 6 bilhões de reais – isso significa 3 vezes o valor das perdas da Operação Lava Jato que investiga a Petrobrás!

favela

Um pai de família, morador da periferia brasileira, paga impostos em quase todos os bens e serviços que consome: no alimento que compra, sempre buscando as ofertas mais baratas, no material escolar para seus filhos que paga às duras penas em virtude do alto preço, na conta de luz e nos remédios que adquire para a sua mãe; já com a saúde combalida. Em todos esses itens os impostos já estão incluídos nos preços. Este nosso pai de família não tem como sonegar mesmo se quisesse. A sonegação, leitora e leitor, ocorre no momento em que esses impostos deveriam ser recolhidos pelas empresas aos cofres públicos; “recolhidos” porque já foram devidamente pagos por quem comprou bens ou serviços, produzidos ou revendidos por essas mesmas organizações. A união, os estados e os municípios não recebem o bolo tributário que seria rateado entre as três esferas da federação. Resultado: o nosso contribuinte forçado e sua família empobrecem ainda mais. O roubo a que me referi atinge precipuamente a esse tipo de “gente diferenciada”. A escola infantil da filha mais nova daquele brasileiro humilde não virá, assim como não veio para os seus irmãos já adolescentes. A educação infantil para aquela criança continuará apenas como um direito “plasmado na constituição” – como diriam advogados ladinos, sempre prontos a livrar a cara de ladrões contumazes, que assaltam o país impunemente desde sempre. A Procuradoria da Fazenda até criou uma ferramenta para medir a sonegação fiscal: o “Sonegômetro”. Acredita-se que em 2014 cerca de 500 bilhões de reais deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos. Leitora/leitor, você tem uma ideia do se poderia fazer com essa dinheirama toda, se esses recursos fossem investidos adequadamente na educação destinada aos filhos dos pais de famílias, que pagam todos seus impostos indiretamente em quase tudo aquilo que consomem?

Parte dessa resposta vamos comentar no artigo do meio da semana.

A agenda do dia 12 precisa “segurar” esse pleito: “Pelo fim da sonegação endêmica”; “Por uma educação fundamental pública de excelência”; “Pelo fim do roubo aos mais pobres”.

Nessa direção, sugiro inserir nessa agenda a igualdade de oportunidades em todas os setores em que a vida flui: na educação, no atendimento à saúde (o que deverá incluir serviços odontológicos), no mercado de trabalho, na mídia e em todos os espaços em que a cidadania se manifesta. Essa “igualdade” aventada aqui – é claro – trabalha com a ideia de equidade. Não devemos nos esquecer: nada mais desigual do que tratar a todos igualmente. Nessa nova perspectiva dos protestos, a agenda do dia 12 deve “segurar” também mais esse pleito: “Pela igualdade de oportunidades para negros e mulheres”; “Por um Brasil que valorize as diferenças”; “Pelos direitos da empregada doméstica”; “Pela criminalização da homofobia”; e por esse caminho pode-se pensar em outros subtemas preciosos. Se as manifestações não abraçarem de bom grado esse alargamento da agenda, que vai na direção da real integração do gigante Brasil, ficará escancarado o seu justo tamanho. Não adianta simular um discurso moderno, mas distante da modernidade. Se isto de fato ocorrer, vai ficar muito parecido com o discurso dos bispos fundamentalistas e ladrões que se animam falando do Cristo de papel da bíblia, mas que borram de medo toda vez que se deparam com a ação do Cristo, que é amor e solidariedade sem limites.

Se organizem em suas cidades para se manifestar, lembrando que “ampliar a agenda” é buscar uma mudança nos costumes do nosso país – uma revolução cultural pela cidadania de todos de fato e não um fantoche de ressentidos sem lastro com o Brasil real. No outro artigo do meio da semana (dia 9), vamos apresentar mais tópicos para a agenda inclusiva do dia 12. Sugestões são bem vindas. Até lá.

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