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CUnha e renan

As duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional – a Câmara dos Deputados e o Senado Federal – são presididas por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos conhecidos e identificados por polêmicas nada edificantes. Calheiros, por usar avião oficial para fazer implante de cabelo ou ainda por estar envolvido no que foi chamado de renangate em que foi acusado de receber grana de empreiteira para pagar despesas pessoais e de pensão de uma filha. Cunha, por ter sido acusado pelo Tribunal de Contas do Rio de favorecer empreiteira construtora quando dirigiu a Companhia Estadual de Habitação (CEHAB), época em que foi associado à “Turma do Chuvisco” do Governo Anthony Garotinho – pessoal “gente boa”, envolvido numa série de escândalos. Essa turma só faltou fazer chover naquele estado nos anos em que Garotinho governou (1998/2001). Nesta última semana (3/3) aqueles dois dirigentes legislativos tiveram os seus nomes inscritos na lista de pessoas suspeitas por envolvimento no escândalo da Petrobrás, batizado pela Polícia Federal de “Operação Lava jato”.

Os dois parlamentares não estão condenados, mas deverão ser investigados. Ao todo, 47 políticos deverão ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Pena que não teremos a eficácia de Joaquim Barbosa ao analisar essas ações. O que me impactou especialmente foi como ambos reagiram à inclusão de seus nomes na lista dos investigados. Ambos se voltaram contra o governo, pois se entendeu o “dedo do Palácio do Planalto” por trás da investigação!

O deputado Eduardo Cunha, sugeriu que houve comemoração palaciana pela inclusão de seu nome; já o senador Renan Calheiros “partiu pra cima”: (1) atacou o governo; (2) devolveu medidas em que o poder executivo propunha ajuste fiscal e (3) atrasou a aprovação do orçamento de 2015!

Cara leitora e caro leitor: como você reagiria caso fosse acusado, por exemplo, de roubar dinheiro? Sairia atirando, desqualificando os acusadores ou exigindo que provas fossem apresentadas? A sua serenidade revelaria a sua certeza interna de inocência.

A infelicidade do Brasil é ter os dois principais líderes legislativos com os perfis de Renan Calheiros e Eduardo Cunha. O pior: eles foram eleitos pelos seus pares precisamente pelos seus defeitos e não por suas eventuais virtudes. Estão no topo do poder legislativo precisamente porque são como são.

Esse quadro – em que o poder legislativo está nas mãos de gente com o background de Calheiros e Cunha – me faz reforçar a tese de que a Desobediência Civil, mecanismo em que a própria sociedade deslegitima autoridades sem lastro moral, é um instrumento cada vez mais próximo do nosso horizonte político.

As pessoas, afinal, hão de perguntar: as leis que temos de obedecer devem continuar a ser feitas ou referendadas por homens com aquele perfil?

A resposta “não” vai nos levar a desdobramentos que podem fazer nascer um novo País, confirmando a ideia de que crises podem significar também mudança. Toda mudança é bem-vinda ao Brasil preguiçoso em desenvolver cidadania.

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