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BCO Dia das MulheresO Brasil é um país cuja diversidade é matéria que ilustra a fala da Antropologia Oficial, mas que não se reveste de concretude no campo da cidadania.

No Dia Internacional da Mulher trago dois talentos diferentes que podem de fato sinalizar a riqueza e a capacidade de trabalho de duas brasileiras.

Fabiana-Claudino-vitima-de-racismo-28-01-15-567x340De um lado, Fabiana Claudino, mineira de Santa Luzia, cidade da grande BEAGÁ. Jogadora de voleibol, capitã da seleção brasileira, bicampeã olímpica (Pequim: 2008 e Londres: 2012) e melhor atacante do Campeonato Mundial de 2006. Tem como característica jogar no bloqueio e no ataque.

Fez em janeiro passado 30 anos, mas joga desde os 14. A jogadora tem uma postura leve, alta, esguia, rosto simetrizado, belíssima. Poderia ter sido modelo caso não fosse atleta.

Fabiana é para mim uma das mulheres mais bonitas do Brasil – ela se posiciona num patamar especial mesmo. Tem uma beleza austera, um carisma enigmático. Apesar de inspirar delicadeza em virtude de sua estética longilínea tem uma força nos cortes que impressiona. Essa característica dupla – delicadeza e força simultâneas – é algo que sempre me comoveu na mulher negra nesse nosso incrível país que dispondo de belezas múltiplas – patologicamente – insiste em privilegiar o uno em detrimento do diverso! Para Sueli Carneiro, o papel, tradicionalmente, reservado às mulheres negras na sociedade brasileira é o de antimusas. Aquelas para as quais a estética não se cogita.

139851_36De outro lado, Gisele Bündchen, gaúcha de Horizontina que completará em julho 35 anos. Gisele, segundo a revista Forbes, é a modelo mais bem paga da história do mundo da moda. Conhecida e reconhecida em todo o mundo. Trata-se de uma beleza germânica-brasileira mais comum no sul do país.

O sonho de Gisele era o de jogar voleibol. Poderia assim ter sido colega de quadra de Fabiana caso não tivesse enveredado com absoluto sucesso na passarela global do mundo fashion.

Como as mulheres estão fora do mundo da moda e das quadras esportivas? Para Eliane Barbosa, no mundo das organizações, as mulheres de uma maneira geral, estão bem abaixo do patamar ocupado pelos homens e quanto à mulher negra, especificamente, o “não-lugar” evidencia a ausência de uma preocupação com a sua inserção valorizada naquele ambiente.

Trouxe duas mulheres esteticamente belas, porém bem diferentes. A beleza física radical exibida aqui é proposital para lembrar que a questão de gênero no Brasil vai muito além de uma estética idealizada, da qual não se deve desconsiderar a complexidade que exige múltiplos recortes como raça/etnia, classe, orientação sexual, dentre outros.

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