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Juízes sem Juízo

Foto: Polícia Federal

Foto: Polícia Federal

Na semana passada, os cidadãos e cidadãs deste incrível país ficaram estupefatos com a notícia do rolezinho feito no porsche cayenne pelo juiz Flávio Roberto de Souza da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O sofisticado automóvel pertence a Eike Batista – misto de pop star e empresário. Aquele mesmo que doou alguns milhões de dólares aos projetos sociais da cantora Madonna!

O caso se reveste de um escândalo em virtude do citado meritíssimo ser o responsável pelos processos relativos ao empresário. O próprio magistrado foi quem mandou apreender o automóvel e o mantinha estacionado em seu condomínio. Aliás, a defesa do empresário foi quem denunciou o fato o que ocasionou o afastamento do juiz de todos aqueles processos. Esse inusitado caso parece ter um componente de cunho patológico em que a autoridade outorga-se o direito de usufruir dos bens de uma pessoa cujo processo ela é a responsável.

Na sequência desse rol de arbitrariedades, em dezembro passado, no Maranhão, foi a vez do juiz Marcelo Baldochi determinar a prisão de funcionários de uma companhia aérea por ter perdido o seu voo…

Fechando essa maratona de juízes sem juízo, a justiça do Rio de Janeiro condenou uma agente pública a indenizar em 5.000 reais por ter “ofendido” ao juiz João Carlos de Souza Correa. Em 2011 o juiz fora pego em uma blitz de trânsito, sem a habilitação de motorista e dirigindo um veículo sem placa e sem documentos. Enfim, praticando aquilo que caracteriza um condutor irresponsável e irregular.

Afinal, qual foi o erro cometido pela funcionária pública que cumpria corretamente as suas funções? Luciana Tamburini declarou que “juiz não é deus”.

O equívoco de fato foi os internautas terem começado uma “vaquinha” para auxiliar à agente a indenizar o suposto “deus”, já que a decisão viu nessa afirmação um desrespeito.

O caminho deveria ter sido bem outro: nosso país há muito carece de um consistente e potente movimento de desobediência civil. Cada vez mais nessas paragens tropicais torna-se necessário defender os direitos da população contra autoridades cada vez menos merecedoras de crédito e respeito. Trata-se de um instrumento legítimo e verdadeiramente patriótico como nesses casos narrados de juízes sem juízo.

– Esta seção cuidará de fatos inusitados e absurdos que ocorrem em pleno século 21 na terra brasilis, quando o bom senso e a coerência desaparecem. – 

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