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Durante a campanha do ano passado, critiquei os economistas que trabalhavam para Aécio Neves. Eles argumentavam que algumas “maldades” precisariam ser feitas para “arrumar a casa”. Queriam dizer com isso que a economia estava “bagunçada”: Gastos fora de controle, déficit público avantajado, baixo crescimento industrial etc. Na época argumentei em uma entrevista dada para a AFROPRESS afirmando que eles queriam na verdade arrumar a “Casa Grande”, e que nessa arrumação os mais pobres perderiam.

Mas veja o destino: foi precisamente isso que os economistas do Governo Dilma fizeram tão logo tomaram posse! Quando os tecnocratas arrumam a Casa Grande, a Senzala (os mais pobres) é que acaba pagando a parte mais salgada da conta. Aqui no Brasil de carne e osso tem sido sempre assim.

Numa linha contrária da defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que prega taxar os mais ricos para reduzir a carga dos impostos sobre a classe média, aqui se decidiu atacar os direitos trabalhistas: seguro desemprego; abono salarial; auxílio doença e pensões. Nesse mesmo tempo, aumentos generosos foram concedidos aos poderes executivo, legislativo e judiciário, como o auxílio-moradia de 4 mil reais para os juízes! Esse tratamento diferenciado é a suma heresia contra os trabalhadores.

Aqui não se tributam as grandes fortunas e nem as heranças. O patrimonialismo brasileiro é visceral e patológico. Nos Estados Unidos, Obama pretende aumentar o imposto de renda dos que ganham muito. Quer também tributar os grandes bancos, tudo isso para beneficiar os que ganham menos e também para investir em creches e educação. Essa ideia aqui seria impensável, pois os ministros que cuidam da economia do país até o ano passado eram diretores-empregados de grandes bancos. Jamais se verá aqui a elite cortando na própria carne. No Brasil isso vai na contramão da cultura de desenvolvimento herdada dos ibéricos: primeiro os meus; depois os meus de novo….

Ocorre aqui no Brasil, desde sempre, um fenômeno tributário que faz com que os mais pobres acabem pagando mais impostos do que os mais ricos. Estudos recentes mostram que os trabalhadores que recebem até 2 salários mínimos, para cada 100 reais que ganham, pagam 54 reais de impostos. Já aqueles que recebem acima de 30 salários mínimos (cerca de 24 mil reais por mês), pagam para cada 100 que ganham, cerca de 30 reais! Essa perversidade é chamada pelos economistas de Regressividade. Aqui, porteiros, professores e diaristas pagam mais imposto do que um milionário e pelo visto isso não deve mudar tão cedo.

No Brasil, os ortodoxos da economia têm como estratégia cega o corte de gastos, especialmente os sociais, como acabou de ser feito agora. Tudo isso para produzir o superávit primário, que vem a ser a economia feita para poder pagar os juros da dívida aos credores: bancos e investidores. Essa política causa recessão que vem com o seu vilão principal a tiracolo: o desemprego. Não tem dado certo na Europa e vem provocando por lá recessão com o consequente desemprego, redução de aposentadorias e diminuição do crescimento. Tal política, equivale a assar o leitão ateando fogo na casa. Os economistas precisam se ater mais a alguns conceitos da Sociologia, Antropologia e História Social para que comecem a entender que é crucial pensar numa cultura de desenvolvimento que flua para o bem-estar da coletividade. Há muito ainda a dizer sobre isso e voltaremos ao tema.

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